segunda-feira, 2 de junho de 2008

Johannesburg e Sun City

Pra nao deixar passar em branco... Nossos ultimos dois dias na Africa do Sul foram em Johannesburg e em Sun City. Em Joburg, ficamos quase o dia todo dentro do hotel. Primeiro porque estavamos exaustas de Cape Town e da viagem de aviao e segundo pq estava chovendo caes e gatos. Eu acordei diversas vezes com o barulho dos trovoes. Conseguimos apenas atravessar a rua do hotel, embaixo de chuva, para ir a um shopping dar um roleh e comer alguma coisa. Comi a promocao numero 1 da MacDonald's (aquela com Big Mac) por apenas 3 dolares. Fiquei pasma e aliviada por nao morar em Josburg ou teria grandes chances devirar uma obesa, rs. No Brasil, que eu me lembre, essa promocao custa quase 12 reais ou pouco menos de 6 dolares. Aqui em Angola nao tem Mac Donald's mas a promocao equivalente do Big Bobs custa a bagatela de 20 dolares!No outro dia, o tempo estava melhor e tinhamos um passeio turistico para Sun City, que fica ha umas 3 horas de Joburg. Nunca tinha ouvido falar de Sun City ateh chegar na Africa do Sul. Na verdade, nao eh uma cidade, eh um complexo hoteleiro com 6 hoteis e um desses hoteis era considerado o mais caro do mundo, ate o de Dubai ser construido. Agora, o The Palace de Sun City cobra 6 mil dolares por uma noite e eh o segundo mais caro do mundo. Entenderam porque a gente so foi passar o dia la? hehe.O complexo eh bem legal, tem diversao a vontade e um clima bem familiar, apesar dos casinos. O problema eh que alem de vc pagar pra entrar, vc tem que pagar pra fazer um tour no The Palace, ou ter acesso a praia artificial, ou visitar os jacares, etc, etc. Nos escolhemos apenas o tour no hotel e preferimos adimirar o que era de graca. A decoracao eh lindissima, cheia de detalhes. Quase uma Disney sul africana. Chega a ser tudo muito rebuscado, muito ouro, inshala! Eles usam o tema Africa e, segundo o guia, o The Palace foi todo construido com base em uma lenda sobre uma especime de elefante que tem as presas tortas e, por causa disso, nao conseguia se defender direito e acabou extinta. Por isso, eles chamam este hotel tambem de A Cidade Perdida ou The Lost City, em homenagem ao elefante. Esta escultura da foto tem o tamanho real do elefante e fica dentro de uma das alas do hotel.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Cape Point Day

Para o sábado, dia 28/03, estava marcado o nosso passeio ao Cape Point, um dos lugares mais bonitos da Africa do Sul. O Cape Point ou Ponto do Cabo, eh de onde se vê o encontro entre o os Oceanos Atlântico e Indico, o famoso cabo das tormentas que Vasco da Gama atravessou para chegar as Índias. Eh la que fica o Cabo da Boa Esperança ou Cape of the Good Hope, o ponto mais sudoeste do continente africano. Minhas senhoras e meus senhores, foi uma honra chegar neste lugar! Uma emoção indescritível e paisagens lindas de morrer.

Só a estrada de Cape Town ao Cape Point já vale a pena. Ela segue a beira mar contornando a base de uma montanha. Apesar da ventania, o dia estava lindo, não tinha uma nuvem no céu pra contar história. O mar tem um azul esverdeado que nunca vi nestas minhas andanças litoraneas. No meio do caminho, parada para esperar os babuínos atravessarem a estrada. Eles andam assim, numa boa sem medo de nada. Alias, há varias placas para que nos tomemos cuidado com eles.

Entramos no Table Mountain National Park e ainda dirigimos um pouco ate chegar ao farol do Cape Point. Pegamos um bondinho pra subir o morro (quem tem disposicao pode subir andando e apreciando a paisagem; estavamos sem tempo e de barriga vazia, entao pegamos o bom e velho bondinho), subimos alguns lances de escada e, tcharam, aquela linda paisagem. Pra qualquer lado que a gente olhasse ia ficar impressionado. E bem na frente do farol, os dois ocenaos se encontravam… como eu estou poetica hoje, rsrs. Na verdade verdadeira, o encontro eh simbolico, hein? Nada de pensar que cada um tem uma cor como o Rio Negro e o Solimoes. Mas, mesmo assim, fiquei super feliz de estar vendo o Oceano Indico pela primeira vez. Agora falta visitar apenas os Oceanos Artico e Antartico (calma mamae, ainda não estou pensando nestas aventuras, rs).

Depois do Cape Point, uma paradinha no famoso Cabo da Boa Esperanca. Outro cenario lindo a beira mar. O que indica que naquela praia localiza-se o Cape of the Good Hope eh uma placa que todo mundo quer tirar foto. O que eu não entendi direito eh porque o marco do bartolomeu Dias e do Vasco da Gama estao distantes desta praia, mas tudo bem. Para aqueles que já tinham esquecido, o Sr. Bartolomeu Dias foi o primeiro a chegar neste cabo, em 1487, e o nomeou de Cabo das Tormentas, devido ao mar ser tao agitado! Em 1497, foi a vez do Sr. Vasco da Gama, que conseguiu finalmente chegar as Indias e, por isso, o rei de Portugal Joao II passou a chama-lo de Cabo da Boa Esperanca (quem le ate pensa que Historia era a minha materia favorita, rs).

No caminho de volta, encontramos avestruzes e kudus (especie de gazela) soltos pelo parque. Mais alguns bichos e eu me sentiria num safari, rs. Ah, na beira da estrada vimos 3 camelos, mas estes serviam de ganha pao de algum nativo que se aproveita da presenca de turistas, nem paramos pra ver.

A noite, fomos jantar no Ritz, um hotel que tem um restaurante no ultimo andar. Ate ai tudo bem. A diferenca deste pros outros restaurantes no topo do hotel eh que o Ritz tem uma vista de 360 graus e vc não perde nenhum lance da paisagem porque ele roda! A cozinha fica no meio, na parte que não gira, e as mesas, na borda, rente as janelas. Vc vai comendo, bebendo e rodando… no inicio, eu a Livia ficamos meio tontas e quase pedimos pra comer na cozinha, rs. Mas, depois, nos acostumamos e apreciamos a vista noturna de Cape Town. Pra se ter uma nocao de como o restaurante roda devagar, passamos pouco mais de 2 horas la e ele deu 2 voltas.De la, fomos ate o recomendado Café Caprice, um bar a beira mar no Camps Bay. Muito legal, mas já estava esvaziando e ficando desanimado. Isso pq era meia-noite! Os bares de la tem licensa para vender alcool ate um determinado horario. Quando passa deste horario, o pessoal vai embora. Nos tb fomos embora... esse era o nosso ultimo dia de Cape Town :(

sábado, 5 de abril de 2008

Roben Island

No terceiro dia, mais uma vez, nos separamos porque eu e a Livia queríamos tentar de novo ir para a Roben Island. Não dava pra visitar a Africa do Sul sem visitar a ilha do Mandela, essa parte histórica tem que ter. Chegamos no Water Front as 7 da manha pra conseguir comprar o ticket do barquinho. Detalhe que a bilheteria so abria as 8h. Esperamos mas valeu a pena. Conseguimos comprar e saímos as 9h em direcao a ilha, numa viagem de 20 min.

Tenho que confessar que morei na Califórnia 1 ano e meio e nunca paguei pra ir na Alcatraz. E agora fiquei na vontade de ir na Roben Island, acho que porque assisti um filme recentemente sobre a vida de Mandela (Adeus Bifana eh o nome do filme, pra quem quiser assistir).

O tour eh bem organizado. Chegando na ilha, vc sobe num onibus com um guia que vai explicando tudo o que aconteceu naquela ilha. Depois saltamos do onibus e entramos na prisão. Eu pensei que era tudo maior, não se pq. Nosso guia na prisão era um verdadeiro ex-prisioneiro politico, que cumpriu pena de 5 anos naquela ilha. Imagine trabalhar de guia num lugar que ficou confinado por 5 anos??? Eu hein! Eu iria querer distancia daquele lugar.

Bom, se estiverem interessados na historia de Mandela e o Apartheid, sugiro pesquisarem no Google. O pouco que sei, aprendi no filme. Entendi pouca coisa que os guias falaram. Não basta saber Inglês para se comunicar na Africa do Sul, rsrs. Há duas línguas oficiais no pais: o Inglês e o Afrikaans. O Afrikaans eh impossível de entender qualquer coisa, uma mistura de Alemão com Holandês, quase um xingamento. O Inglês eh parecido com o da Inglaterra mas eh mil vezes mais difícil de entender. Eu dava risada com aquele povo que me explicava onde ficavam os lugares e eu não entendia nada. Se fosse negro então… acho que eles misturam o Inglês com dialetos falados em outras regiões do pais, como o Zulu.

Apos o tour, eles liberam a gente para passear num calcadao perto da praia onde ficam os pinguins. Vc sabia que existem pinguins na Africa? Pois eh, la tem um monte! Nessa praia ate que não tinha tanto mas existem outras que o pessoal vai so pra ver os lerdinhos (eles podem ficar ate 2 dias parados e sem se mexer). Depois dos pinguins, o imperdivel gift shop

E por falar em gift shop, a Livia e eu nao podemos ver uma feirinha de artesanato. Depois da ilha, pegamos um taxi para uma feirinha famosinha no centro da cidade, o Green Market. Tem milhares de coisinhas bonitinhas mas naquele mesmo esquema que tem em todo lugar do mundo: tem que pechinchar! Eles jogam os precos la pra cima e vc tem que jogar la pra baixo. Aos poucos, chega-se ao meio termo. Comprei varias bugigangas legais pra minha casinha nova em Luanda, ta uma gracinha, a minha cara, rsrs. Detalhe para a foto abaixo:todas as pecas sao feitas de micanga!!!
.De noite, foi a vez do restaurante e cervejaria Belga. O paraíso para a Livia que já gosta de um chop. Ela estava experimentando os chops um a um do cardápio de cervejas, inclusive uma com 32% de álcool! Eu fiquei so no vinho mesmo, estou ficando uma expert em degustacao de vinhos.

Uma noite maravilhosa depois que recebi a noticia que a minha mala tinha chegado (mesmo assim, ela so chegou nas minhas mãos no outro dia de noite). Alem disso, o meu prato foi carne de avestruz e a Livia pediu carne de gazela. Os dois pratos estavam divinos. As carnes são super leves, uma delicia!

Table Mountain

No segundo dia, tomamos café da manha no hotel chique do Morais. Já sabia que ia ficar mal acostumada com essa vida de princesa… Demos uma separada no grupo. Eu e a Livia queríamos visitar a Roben Island, ilha onde o Mandela ficou preso durante anos, enquanto a Ana e o Morais queriam visitar o jardim botânico nacional.

Quando chegamos no lugar onde pega o barquinho, não havia mais bilhetes e tivemos que mudar de planos. Pegamos o onibuzinho de turista que faz duas rotas na cidade. Vc escolhe a rota, paga cerca 12 dolares e pode subir e descer quando quiser dentro desta rota. Ah, a moeda da Africa do Sul eh o Rand. Um dólar equivale a 8 rands. Apesar da moeda ser mais valorizada que o Kwanza, tudo eh muito mais barato do que em Angola, aproveitei para comprar objetos de decoração para a minha casinha.

Pegamos a rota que nos levaria para a Table Mountain. Uma montanha com o topo plano de 3 quilometros, por isso o nome Table (mesa) Mountain (montanha). Não sei se pode ser considerada um planalto, já esqueci minhas aulas de Geografia. O engraçado eh que, quando as nuvens passam por cima da montanha, elas parecem que caem na beirada da montanha como se fosse uma toalha de mesa, que eles chamam de table cloth.

Pegamos um bondinho muito legal que gira 360 graus enquanto sobe. A vista la de cima eh lindíssima. Da pra ver quase toda a cidade e a Robben Island. Essas paisagens de mar e montanha são o que mais marcam Cape Town.

Na volta, o onibus faz todo o percurso da orla passando pelas riquíssimas mansões coladas nos paredões dos morros. Vários famosos têm casa lá. Ficamos extasiadas com o passeio.

De noite, fomos ate o Grand West, que fica um pouco mais afastado da cidade. Eh um complexo hoteleiro com casino e restaurantes. Agora foi a vez da comida japonesa, uma maravilha. Depois do jantar, arriscamos na jogatina. Joguei 20 dolares just for fun. Ate ganhei um pouquinho, mas como diz o ditado: sorte no amor, azar no jogo. Perdi tudo depois, rsrs.

South Africa

Eita ferias corridas! 15 dias foram poucos para rever amigos e família em Salvador e conhecer a Africa do Sul. Apesar do tempo curto, foi recompensante e valeu a pena. Depois de 10 dias em Salvador, la vou eu mais uma vez para o aeroporto, nesta minha vida nomade, pegar o avião de volta para Angola. Antes de chegar a Luanda, uma parada na Africa do Sul para aumentar a lista dos lugares no mundo já visitados, rs.

Foram 2 horas de viagem de Salvador ate São Paulo, onde encontrei a Livia, a Ana Cristina e o Morais, um amigo angolano da Ana Cristina que já conhecia a Africa do Sul. 4 horas de espera no aeroporto e la vamos nos viajar de South African Airways por mais 9 horas. Nada comparado a TAAG (Transportes Aéreos de Angola), estamos falando de outro nível de atendimento e conforto. Chegamos em Johannesburg, uma espécie de São Paulo sul-africana. De Johannesburg, mais 1h40 de voo para Cape Town, considerada o Rio de Janeiro sul-africano, em termos turísticos. A capital do pais eh Pretoria, nossa Brasília.

Apesar do otimo serviço de bordo, a South African tem fama de perder as malas dos passageiros. E adivinha quem foi a sorteada? Eu mesma! Se bem que a Ana Cristina também ficou sem mala, mas a dela chegou um dia depois, na quarta. A minha chegou no ultimo dia de Cape Town, na sexta.

Já saindo do aeroporto aquele primeiro baque: as pessoas dirigem do lado oposto. Motorista no lado direito do carro e carro no lado esquerdo da pista. Muito estranho, eu não conseguia parar de fazer piadinhas sobre isso. Bom, isso eh o resultado da colonizacao inglesa que, sem exageros da minha parte, caprichou (exceto pela questão do racismo, eh claro!). A cidade eh organizadíssima, limpa, bonita, as pessoas são educadas, felizes e de bem com a vida. Pra quem já passou uma temporada em Angola, aprende a valorizar estes itens rapidinho. Fora que a gente nem lembra que esta no continente africano de tanta gente branca, loira, de olho azul e bochecha rosa.

Em Cape Town há poucos negros, talvez por ser uma cidade mais turística e voltada para a classe alta. Eh possível encontrar negros apenas atrás dos balcões. Na Africa do Sul ainda há resquícios do racismo e ainda eh nítida a separacao de classes: brancos – classe alta, mestiços (indianos e outros povos) – classe media e negros – classe baixa. Depois de visitar a Africa do Sul aquele conceito de afro-descendentes caiu por terra. Vc tambem pode ser branco cor de neve e ser africano. Chamar so o negro de afro-descendente eh racismo! Ai que polemica, rsrs.

Ficamos hospedadas num flat no Sea Point, no prédio mais alto da orla. Na frente, uma vista perfeita para o mar e para a maior piscina de agua salgada do mundo. Atrás, vista para a montanha Heads Lion e varias casinhas bonitinhas. Não havia melhor lugar para ficar, mas nossos planos não era ficar em casa. Deixamos nossas coisas la e partimos para o Water Front pra almoçar.

Nem sei se posso fazer essas grotesca comparacao, mas o Water Front eh uma espécie de Aeroclube de Salvador. Já estou um pouco arrependida de ter feito a comparacao, rs. O Water Front eh maravilhoso! Um grande ancoradouro com shopping, restaurantes, hotéis, lojinhas de artesanato, etc. Eh lindo e muito alto-astral. Almoçamos num restaurante grego e passeamos por la ate dizer chega. Eu tava tão cansada da viagem que não consegui acompanhar o pessoal que saiu pra jantar num restaurante indiano. Preferi dormir para recarregar as baterias para os próximos dias.